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O encerramento de um ano cheio de mudanças e especialmente difícil para a economia mundial parece estar marcado por um otimismo nos mercados, impulsionado principalmente pelo avanço nas vacinas de laboratórios como Pfizer e Moderna. Em meio a este clima de esperança por uma reativação, hoje no Mundo Supra te trazemos os pontos principais para antecipar o que acontecerá com os mercados em 2021.

 

VACINA

Como mencionamos antes, o tema central na mente de todos são as vacinas, por isso uma grande expectativa para 2021 dependerá de como os laboratórios e governos enfrentarão o desafio que implica o alcance e eficácia de sua aplicação. Muito do que vai acontecer dependerá das características particulares da vacina de cada laboratório, se necessita refrigeração, se é de fácil transporte ou quais são seus custos de produção.

 

BIDEN NOS ESTADOS UNIDOS

Com a eleição de Joe Biden em novembro como presidente de Estados Unidos, pode se esperar uma mudança de rumo na gestão tanto interna como externa do país do norte. No entanto, é importante também notar que isso não será da noite para o dia e as possíveis reformas que necessitarem ajustes legislativos serão difíceis, com um congresso dividido. Um exemplo disso, serão os pacotes de ajuda econômica cujas aprovações tem sido cada vez mais lentas e discutidas entre democratas e republicanos. 

 

Onde sim podemos esperar ações rápidas é no aspecto internacional, onde com certeza o novo presidente eleito iniciará uma campanha de restabelecimento e fortalecimento de laços com seus aliados, levando um tipo de política mais parecida com a de Obama, baseada em ações coordenadas globalmente, em vez de decisões unilaterais como na gestão Trump. Isto significa, claro, uma mudança de jogo em várias frentes, por exemplo, os acordos de Paris sobre  mudança climática, que poderiam voltar a ver os Estados Unidos não só como participante, mas também como um agente muito mais ativo nas mãos de John Kerry. Por outro lado, provavelmente a China deverá enfrentar ações mais coordenadas de forma global do que a continuação de uma guerra de tarifas.

 

PETRÓLEO

Cada reunião da OPEP+ parece trazer seu próprio drama e a do dia 3 de dezembro não foi uma exceção. Desta vez foi antecedida por uma nova divisão interna entre Arábia Saudita e Emirados Árabes, o que é de particular relevância porque sempre foram aliados próximos e poderia afetar a coesão do cartel de produtores. As conclusões do dia 3 de dezembro se alinharam com as expectativas do mercado e se decidiu um aumento de 500.000 barris diários em produção para janeiro, com revisões mensais por parte dos diferentes ministros de energia para futuras decisões, o que mostra a preocupação da OPEP+ pela fragilidade do mercado do petróleo bruto.

 

Outro elemento que será importante é a volta da Líbia a seus níveis de produção, depois da trégua em sua guerra civil. Este país está excluído dos cortes da OPEP+ e passou de 450 mil barris diários em Outubro, a 1 milhão em novembro. Além disso, voltando ao ponto anterior, a vitória de Biden poderia reviver o acordo nuclear com Irã para recuperar uma das grandes vitórias diplomáticas do governo Obama, trazendo outro produtor importante de novo aos mercados internacionais. Estima-se que ambas forças aumentarão a oferta mundial de petróleo bruto, o que poderia levar os preços para baixo.

 

Gráfico 1. Elaboração própria. Dados Bloomberg

 

Mas se parte das expectativas do mercado se concentram na produção, não podemos esquecer que também continua muito ligada à ativação econômica e aumento da demanda. Isto vai depender de como a aplicação das vacinas vai avançar, por isso podemos esperar uma lenta recuperação em 2021. O nível do preço atual já apresentou um aumento na função deste componente e estão negociando ao redor de $48 dólares para a referência Brent, tal como podemos ver no gráfico 1, o que deixou as expectativas dos analistas publicadas pela Bloomberg perto desse valor para o primeiro semestre do ano que vem.

 

AÇOES

As ações tiveram um ano bastante movimentado desde as fortes quedas em março no início da pandemia, afetadas pelo aumento da incerteza, até chegar a recordes em seus preços. Este comportamento pode ser visto refletido no gráfico 2, onde se comparam os índices MSCI Emerging Markets compostos por ações de países emergentes e o MSCI World, de países desenvolvidos. Um fato relevante na hora de revisar estes índices é a forte importância que a China tem nos países emergentes, o que, claro, influencia o comportamento e mostra a força da recuperação de suas ações.

Gráfico 2. Elaboração própria. Dados Bloomberg

 

O que vemos é os mercados desenvolvidos, principalmente Estados Unidos, mostrando crescimentos acelerados – especialmente de companhias tecnológicas- e os emergentes, chegando tarde para a festa. Mas como escrevi em diferentes colunas, agrupar os emergentes e esperar que se comportem de forma homogênea é algo impossível e a duração desse atraso reflete precisamente esse comportamento, com os asiáticos mostrando a recuperação mais rápida pelo seu forte componente de ações tecnológicas.

 

De fundo, há outro elemento que afetou o comportamento das ações durante este ano, o desdobramento da política monetária expansiva sem precedentes da grande maioria dos Bancos Centrais do mundo, o que injetou grandes níves de liquidez nos mercados sendo isso uma força que impulsionou a preços maiores. 

 

Para 2021, duas forças guiarão o comportamento das ações: por um lado, uma menor incidência dos bancos centrais depois de ter gastado grande parte de sua munição em 2020. Por outro lado, um maior apetite de riscos dos investidores impulsionado pela implementação das vacinas. É possível vaticinar que este último levará a que sejam os emergentes os que darão o dinamismo, com os países desenvolvidos perdendo um pouco de impulso diante do reequilíbrio de portfólios. 

 

Sem dúvida, 2020 foi um ano de muitas mudanças globais e suas repercussões nos acompanharão vários anos mais. O que acontecerá com os mercados em 2021? No entanto, será de grandes mudanças estruturais desde o ponto de vista da política econômica, buscando recuperar o crescimento perdido, mas também desde as percepções dos investidores, além de suas expectativas e visões sobre os mercados. É claro que depois desta conjuntura a forma em que vemos o mundo mudou e isso se refletirá no próximo ano, que trará seus próprios desafios e consequências.

 

Relatório elaborado pela Gandini Análisis para a SupraBrokers só como conteúdo e em nenhum caso se considera uma recomendação de investimento.

 

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